Dieta Paleo – É realmente Boa? O que é? Origem?

Ao longo dos tempos, diversas dietas estão na moda e deixam de estar, no entanto a Dieta Paleo parece resistir a estas modas.

A dieta Paleo defende que devemos comer como os nossos antepassados, uma dieta rica em proteína animal e pobre em hidratos de carbono. Mas será que era mesmo assim?

História da dieta Paleo

Segundo estudos, os nossos antepassados mais distantes – 24 a 5 milhões de anos – eram frugívoros (alimentação à base de fruta). No entanto, devido a alterações ambientais, o homem recorreu à caça de animais para colmatar a escassez do seu, até então, alimento.

O nosso parente vivo mais próximo é o chimpanzé, com uma diferença de apenas 1.6% do nosso ADN, segundo o GAP.

Os chimpanzés são considerados frugívoros. Posto isto, vamos então perceber se o homem das cavernas teria ou não uma dieta maioritariamente carnívora, como defende a dieta Paleo.

Mandíbula

Ao comparar as mandíbulas do ser humano com animais carnívoros, como leão e tigre, vemos largas diferenças. Estes animais contêm uma boca grande que lhes permite agarrar as presas, matá-las e desmembrá-las, no entanto não se move para a frente e para trás nem para os lados como a dos humanos, que se movem livremente, estando aptas a mastigar vegetais e fruta.

Mandíbulas

Os músculos faciais são também muito diferentes dos dos seres humanos, enquanto que os os carnívoros apresentam poucos músculos faciais de forma a não impedir que a boca se abra no ato de caça, a mandibula humana apresenta inúmeros músculos, não nos permitindo abrir a boca a uma amplitude como a dos carnívoros, obrigando-nos partir a comida aos pedaços para a ingerirmos.

Dentes e saliva

Os dentes humanos assemelham-se aos dentes dos chimpanzés e não ao de carnívoros. Animais carnívoros necessitam de dentes afiados e pontiagudos de forma a agarrar a comida, ao invés dos humanos que apresentam dentes frontais lisos ideais para cortar e mastigar bagas, frutos e sementes.

Trato Gastrointestinal

O estômago dos seres humanos tem uma capacidade muito menor que o de animais carnívoros, uma vez que estes necessitam de armazenar a comida e os humanos necessitam de o libertar rapidamente dando a espaço a uma nova refeição numa questão de horas.

Os intestinos humanos são maiores que os de um animal carnívoro uma vez que é aqui que ocorre a absorção de diversos nutrientes provenientes de alimentos à base de plantas, enquanto que os carnívoros apresentam um intestino menor, onde a carne fica armazenada durante alguns dias sem tempo de se putrefazer e causar doenças, muitas vezes ocorrentes no ser humano como o cancro do colorretal e do cólon.

Outras diferenças

O pH gástrico de animais carnívoros ronda o 1 (muito ácido), necessário para a desagregação de proteínas, enquanto que o humano ronda o 5 (ácido),  idealmente necessário para a digestão de verduras.

O cheiro ou visão de um animal ferido, estimulam um animal carnívoro, no entanto isto repugna o ser humano, seremos assim tão carnívoros?

 

Estes factos não indicam que os nossos antepassados tivessem uma dieta vegetariana, nada disso! Os nossos antepassados caçavam animais e comiam-nos. É visível que à medida que a latitude aumenta, maior o consumo de animais e maior a escassez de plantas, devido ao clima.

(Friedman, 2018)

A dieta Paleo assenta sobre a ingestão elevada de proteína animal e reduzida de hidratos de carbono, mas também comida livre de químicos, pura, sem aditivos, no entanto na análise da anatomia de um ser preparado para ingerir doses elevadas de proteína animal e de um ser que se acredita ter estas mesmas caraterísticas, encontramos diferenças avassaladoras que fazem o ser humano não estar preparado para uma dieta com tais quantidades de proteína animal.

Uma dieta deste tipo poderá ter consequências, a longo prazo, na saúde humana ainda desconhecidas, uma vez que o ser humano não está anatomicamente preparado dados os fatores acima referidos, para além de ser difícil manter esta dieta por ser tão restrita.

Veja também o artigo sobre anorexia nervosa.

Siga no Instagram.

Referências:

Friedman, D. (2018). Afinal… O Que Raio Devemos Comer. SELF.

Share: